Ouro Preto | Arquitetônico

 

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Ouro Preto

Patrimonio Histórico da Humanidade e a "Terra do Nunca" dos universitários

Ouro Preto
Ouro Preto

A cidade de Ouro Preto, antes chamada de Vila Rica, transpira arte, cultura e história. No século XVIII vivenciou a Inconfidência Mineira, com a participação de Joaquim José da Silva Xavier, conhecido como Tiradentes. Teve grande importancia no ciclo do ouro do Brasil, tornando-se foco da economia brasileira e alvo dos paises europeus, passando a ser capital de Minas Gerais antes de Belo Horizonte. Em sua arquitetura barroca podemos encontrar grandes obras de arte, possuindo um dos maiores acervos da arquitetura colonial brasileira. Suas igrejas, além de locais religiosos, são pontos turísticos, possuem altares cobertos de ouro no estilo rococó e esculturas de Aleijadinho.
A cidade foi o primeiro local em território brasileiro a conquistar o título de Patrimônio Cultural da Humanidade, concedido pela Unesco – Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura, na quarta sessão do Comitê do Patrimônio Mundial, realizada em 1980, em Paris. A organização escolhe áreas culturais ou naturais consideradas valiosas para a humanidade e a cidade de Ouro Preto foi escolhida por:

- Representar uma obra-prima do gênio humano.
- Aportar um testemunho único ou excepcional de uma tradição cultural ou de uma civilização ainda viva ou que tenha desaparecido.

Segundo o IPHAN, Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, a singularidade do patrimônio arquitetônico e artístico e o elevado estado de conservação fizeram com que Ouro Preto fosse acolhida sem ressalvas pela Unesco.
Ao andar pela cidade nos deparamos paralelamente com o antigo e o novo. Podemos notar nas ruas íngrimes feitas de pedra pelas mãos dos escravos e pelos casarões tombados e antigos a quantidade de fatos históricos e a importancia cultural da cidade. Por outro lado, podemos notar grandes festas - os conhecidos “rocks”, estudantes universitários andando por todos os lados da cidade e várias repúblicas estudantis, muitas delas situadas em construções tombadas.
A Escola de Minas, conhecida como Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), foi fundada pelo francês Henri Gorceix em 12 de Outubro de 1876. Hoje em dia, existe uma grande comemoração dos estudantes, conhecida como Festa do 12. Ex-alunos e ex-moradores de repúblicas voltam à cidade para comemorar a fundação da escola de engenharia com muita comida e bebida, é uma grande confraternização. Algumas repúblicas estudantis são tão antigas quanto a Universidade, repúblicas que existem até hoje graças aos esforços dos alunos e suas tradições. Porém, exitem diferentes opiniões sobre esse tema.

Para alguns estudiosos e alguns moradores de Ouro Preto, conhecidos como “nativos” pelos universitarios, o aumento do numero de estudantes e suas atuações estão degradando a cidade. Existe a opinião de que Ouro Preto não comporta tantos moradores, tão pouco tantas festas como, Carnaval, Festa do 12 e 21 de Abril (Tiradentes). No ultimo carnaval, o de 2010, as republicas federais – republicas que se encontram em residencias que pertencem à universidade – foram proíbidas pelo governo de hospedar os foliões. O argumento utilizado foi o de que por serem locais que pertecem à Universidade, ou seja, ao governo, os estudantes não poderiam utilizá-los para benefício próprio, já que os turistas pagam pela hospedagem. Esse assunto pode gerar uma discussão sem fim, pois no ponto de vista do gorverno, realmente um local público não pode ser usado para o beneficio de apenas um grupo de pessoas. Porém no ponto de vista dos estudantes, o fim do carnaval seria o fim de uma renda que ajuda a manter as casas, inclusive as construções tombadas. Segundo os moradores das repúblicas, o governo cede a casa, mas a renda para mantê-las só existe com o dinheiro dos estudantes.

Outro conflito que existe é a questão das tradições e hierarquias. Para um estudante se tornar um morador oficial de uma republica tradicional ele precisa passar pela chamada “batalha de vaga”. O calouro vira a pessoa mais baixa de uma grande hierarquia - sendo o “decano” o posto mais alto dela - o apirante a morador passa a fazer tarefas da casa, obedece a algumas regras e ”toma alguns trotes”. Se, na visão dos moradores oficiais, o novo estudantes estiver apto, depois de um tempo de “batalha” ele finalmente vira um morador oficial, com direito a uma grande festa para comemorar. Alguns dos “trotes” podem ser bastante pesados, fazendo com que muitos dos calouros desistam da vaga. Desistencias não fazem diferença para os moradores ofiaciais, pois o que interessa a eles é alguem que tenha amor o suficiente à casa para encarar os obstáculos até se tornar um deles. A tal “batalha” é considerada absurdo para algumas pessoas, ja que as republicas federais não percem aos estudantes que ali moram, na verdade elas são publicas. Muitos defendem que estudantes carentes deveriam ter prioridade nestas republicas, comprovando a carência. Na visão dos moradores a prioridade deve ficar com quem se mostra realmente interessado pela republica, uma forma de mostrar o interesse é passar pelo trote até chagar à tão sonhada escolha. Segundo eles, não existe mais ninguem para cuidar das residencias a não ser os proprios estudantes, por isso todos os que moram lá devem estar preparados, cuidar de uma casa (ainda mais uma casa tombada) não é uma tarefa fácil.

Segundo a estudante Michelle Novaes, a batalha ajuda o estudante a crescer e a lidar com responsabilidades:
“Morar em Ouro Preto foi uma das melhores experiencias da minha vida. Aqui estou crescendo muito não só como profissional, mas como pessoa.”
Para o estudante Leandro Souza “A batalha ajuda a construir o caráter. As republicas funcionam como uma empresa e dão certo, pois existem regras.”
Realmente, só sendo um estudante de Ouro Preto para saber como é esta experiencia universitária. Mas fica o paradoxo, o passado batendo de frente com o presente e a preocupação com o futuro. Os estudantes estão construindo um futuro ou destruindo um passado de história?

  • Lucas

    Definitivamente uma cidade que eu quero visitar!! Meio assustador esse negócio das repúblicas achei haahha… Parabéns pelo seu primeiro post Carol!

  • http://vaca tamarola

    eu achei legal

  • nicole

    nem li,nao podiam fazer resumo….sem graça essa bagaça

  • http://vitorhugofotos.blogspot.com Vitor Hugo

    Eu fui pra Ouro Preto esses dias, tirei umas fotos la, se quiser da uma olhada http://vitorhugofotos.blogspot.com/p/ouro-preto.html

  • fernanda rodrigues

    Gostei muito do texto; já fui a Ouro Preto duas vezes. Adoro esse lugar que pra mim é muito exótico. Voce disse exatamente o que eu sinto quando vou lá. O antigo e o novo se contrastando. E não é um novo qualquer; são universitários; cheios de cultura; opinião; com sede de inovação cultural. Isso traz riqueza para qualquer lugar. A minha cidade já foi assim; mas acabaram-se as boas escolas e todos os jovens foram embora para outro lugar. As pessoas que ficaram foram envelhecendo e o tráfico tomou conta da cidade. Hoje é um lugar muito pobre tanto financeira como culturalmente. Os moradores deveriam agradecer a existencia dos estudantes de uma das mais bem conceituadas universidades do país.. Se isto acabar acaba-se tambem o município que não é lá essa riqueza toda. Pois é um municipio rural; como o meu.

  • http://hotmail Luciana Benfica

    Acho ridiculo trotão, estou me formando no meio do ano serei bacharel em turismo, morro em uma cidade considerada patrimonio cultural da humanidade não vejo necessidade de regras humilhantes para aprender alguma coisa. E se as republicas são federais é de direito para aqueles alunos que apresentem certidão de carencia, o Brasil precisa de uma visão hierarquica começando por nos jovens que brincamos com a liberdade e a tornando-a em libertinagem.

  • chico sampaio

    Fortaleza, maio de 2012
    Cara Carolina,
    Sou professor da Universidade Estadual do Ceará e, no momento, estou produzindo uma obra intitulada Quantos Brasis, de certo modo inédita no País, por tratar-se de uma abordagem interdisciplinar entre Literatura, Geografia e História do Brasil, que deverá ultrapassar as 2.000 páginas.
    Por tratar-se de uma obra volumosa e realizada com recursos de um professor universitário e algumas poucas doações, venho solicitar a V. Sa. o email do autor de uma foto baixada da URL http://www.arquitetonico.ufsc.br/ouro-preto, de Ouro Preto-MG, detalhe de sua arquitetura barroca, a fim de que possamos pedir autorização para publicá-la em nosso trabalho.

    Estamos dando, como é justo além de legal, o devido crédito ao autor de cada fotografia (obra de arte), momento em que aproveitamos para agradecer seu gesto de compreensão e colaboração com esta iniciativa cultural.
    Gratíssimo,
    Prof. Francisco Coêlho Sampaio

  • sabrina

    eu achei uma droga de ouro preto prefiro a minha cidade que e bem melhor. brincadeirinha ouro preto por la e tudo lindo melhor que a minha cidade mil veses.gostaria de e visitar essa cidade maravilhosa

Escrito por: Carolina Marucco
Postado em: 1 de March de 2011

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