Land Art | Arquitetônico

 

ARTE

Land Art

A arte de apreciar a paisagem

Smithson, SpiralJetty
Smithson, SpiralJetty

Em meados dos anos 60, artistas americanos e europeus começaram a se expressar com um novo tipo de arte contrapondo com o extremo minimalismo na composição de obras daquela época e o seu consumo alheio, junto com uma conscientização ambiental. O Land Art (arte da terra, da paisagem) talvez não possa ser chamado de um movimento artístico, mas foi uma forma de expressão que rompeu com museus e galerias. Isso porque esta arte usa como ferramenta a própria natureza, a própria paisagem se torna a moldura para a arte, e a arte a moldura da paisagem. Os materiais usados variam de pequenas folhas até pedras, elementos muitas vezes em seu estado bruto (daí é possível concluir uma relação com a Arte Povera). A “arte da paisagem” é exposta em desertos, praias, montanhas, mares e campos. Muitas vezes algumas obras desaparecem com o tempo devido a erosões e mudanças naturais. Logo, é muito difícil presenciar uma obra dessas, e seus rastros acabam aparecendo apenas em fotos e filmagens.

O Land Art é o que podemos chamar de “dispositivo de paisagem”(FLORIANO, CÉSAR). São obras onde os artistas se fundem com a natureza, onde o humano e o natural se misturam em consequência da maior apreciação do ambiente ao nosso redor. E o que pode ser mais interessante  do que uma obra que está em constante mudança? Que se transforma ao longo do tempo, junto com o mundo, junto com as decisões humanas? Que a cada registro é vista de modo diferente? É impressionante como uma escultura pode mudar a percepção da paisagem que vemos ao nosso redor. Algumas destas obras acabam por se decompor, tornando-se eternas e então finalmente completadas. Logo, em minha opinião não podem ser chamadas de efêmeras.

Broken Circle, de Smithson

Surrounded Islands, de Christo e Jeanne-Claude

Elas serviram como crítica à escassez de nossos recursos naturais e também à nossa sociedade hiperconsumista de crescimento industrial desenfreado, pois não há como se cotar uma obra dessas.

The Umbrellas, de Christo e Jeanne-Claude

Este tipo de expressão serve como gesto de estreitamento entre as relações do homem com a natureza, e também de que “na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”.

Um dos trabalhos mais impressionantes é o do escultor Walter de Maria. The Lightning Field, feito em 1977, é composto por 400 barras de aço que formam uma malha de mais ou menos 1 km. É uma escultura para caminhar por dentro e também para ser vista de longe, caso queira presenciar um espetáculo de relâmpagos. Atualmente, pode-se ir ao Novo México e visitar a obra.

Outra escultura muito conhecida é a Spiral Jetty de Robert Smithson, um espiral feito de pedras basálticas e terra que adentra o mar com um comprimento de 457,2 metros e largura de 4 metros. Localizado em Great Salt Lake, Utah, nos Estados Unidos, o caminho foi feito em 1970 e é preservada até hoje, podendo ser visitada por quem quiser.

Já em uma vertente um pouco diferente de outros artistas, Christo e Jeanne-Claude embalam o edifício Reichstag em Berlim. Apesar de não gostarem de ser denominados artistas da Land Art, a dupla volta o seu trabalho para intervenções que sim, lidam com a paisagem, mas que são voltadas para um público, podendo ser vistas e contempladas por qualquer pessoa. Por um período de duas semanas o tecido de polipropileno de cor prata colocou em evidência as proporções da estrutura revelando a sua essência.

Um cara chamado James Turell está fazendo há um bom tempo provavelmente a maior escultura de Land Art de todas: um observatório dentro de um vulcão. Ainda não foi concluída mas se pode ver pelas fotos abaixo o grau de monumentalidade (se é que essa palavra existe) da obra.

Modelo

O Vulcão

Maquete

Vista do vulcão de cima.

Existem muitas coisas para se falar sobre a Land Art e cada obra pode ser devidamente explicada com mais detalhes. Mas vale ser citada brevemente pois todos deveriam saber de sua existência. Pode-se notar o quanto pode ser impactante na vida das pessoas uma obra de arte, uma intervenção paisagística. E o quanto ela pode nos fazer perceber o mundo em que vivemos.

[Atualizado em 28/07/2011]

  • Bartira

    incrível!!! já disse e repito, intervenções urbanas e paisagísticas dão um sentido simbólico em outro nível ás cidades!

  • http://www.bumpdesign.blogspot.com Jota Joota

    incrível!! principalmente a do raio e a do vulcão, só não entendi muito a do edifício Reichstag.

  • http://www.facebook.com/bruuh.naa Bruna

    Se eu tivesse um barquinho, estacionava do lado da Spiral Jetty e não saía de láá *–* Oww coisa perfeita!!

    Também não me importaria de ficar um tempo vendo de perto o The Umbrellas!!! *——-*

    O vulcão é grandioso demais, de certa forma me assusta; mas adoro quando a arte toma dimensões tão grandes a ponto de poder protestar contra as atitudes humanas, o que ocorre na Surrounded Islands.

    Adorei Lu!

  • João Neto

    Os trabalhos de Robert Smithson em todas as areas em que ele se envolve são muito legais, não iria ser diferente com a Land Art. Muito “massa” essa materia.

  • Ana Zabotti

    Sou muito grata ao nosso professor de história da arte, César Floriano, por ter nos apresentado à land art na segunda fase, é tipo incrível demais *-* Depois da aula dele eu fui pesquisar mais sobre o assunto, mais especificamente sobre Christo e Jeanne-Claude e descobri que eles eram um casal de velhinhos muito supimpa, hahahah! Pra quem se interessar deixo aqui um link de uma entrevista deles http://www.youtube.com/watch?v=_bADfh_JLLo&feature=fvwrel

  • Alex
  • http://www.arquitetonico.ufsc.br/land-art Rafaela

    Amei as obras …
    muito 10

    • http://www.arquitetonico.ufsc.br/land-art Rafaela

      aaaaaaaaaaaaaaaah Ysa eu tiii amú miinha marida

      • Lucas

        ?? hahaa

  • nicole

    essas imagens são legais
    gostei muito
    ha

  • gleiva

    muito legal essas imagens
    e são lindas

Escrito por: Lucas Passold
Postado em: 12 de February de 2011

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