Cobogó | Arquitetônico

 

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Cobogó

cobogos
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Os cobogós foram criados ainda na década de 20, em Pernambuco, mas se popularizaram pra valer a partir dos anos 50, sendo facilmente avistados no Nordeste brasileiro ou em Brasília. Seu nome engraçado foi herdado dos sobrenomes de seus três criadores: Amadeu Oliveira Coimbra, Ernest August Boeckmann e Antônio de is.

Trata-se desses blocos vazados de cimento que, além do interessante efeito estético, têm a função de fechar ambientes, mas mantendo a circulação de ar, a privacidade do interior e filtrando parte da radiação solar direta, com a versatilidade de poder substituir uma parede inteira, apenas um pequeno vão ou ser usado como divisória.

 

 

 

Sua origem advém dos muxarabis: elementos tradicionais árabes que consistem em treliças de madeira aplicadas geralmente em janelas para garantir a privacidade das mulheres, concedendo a visão do exterior, mas não o contrário.

Hoje eles não são mais fabricados apenas em cimento, havendo cobogós tanto de cerâmica como de vidro, madeira, gesso e até mármore. É o caso do Cobogó Haaz, que foi desenvolvido em mármore pelo arquiteto Márcio Kogan para uma exposição comemorativa na galeria de design contemporâneo Haaz, na Turquia.

Um dos problemas  dos cobogós, entretanto, é a ausência de vedação acústica. Ou melhor, era, já que a arquiteta Bianca Carla Dantas de Araújo conseguiu desenvolver um cobogó que, por meio de uma geometria funcional, minimiza a propagação do som, tornando-o tão eficiente nesse aspecto quanto uma parede de alvenaria. Incrível, não? (Para mais, clique aqui)

Mais legal ainda é a Mesa Cobogó, concebida pelos Irmãos Campana em 2009. As partes vazadas no tampo permitem a passagem de luz e projetam no chão uma espécie de renda belíssima. Ela está, de fato, no limiar entre design e arte.

Quer você procure uma solução térmica, uma alternativa aos janelões de vidro – que podem superaquecer o ambiente e permitir que a luz danifique móveis –, uma possibilidade estética ou tudo isso junto, os cobogós, genuinamente brasileiros, poderão ser muito úteis.

  • Lucas

    Muitoo legal!! Já tinha visto alguns desses, mas não sabia que tinha um nome específico.

  • Bartira

    já tinha reparado nisso, mas não sabia que era especificamente daqui do Pernambuco!O resultado é muito bonito.

  • Diogo

    Muito legal o post! O cobogó foi muito difundido por Lúcio Costa, no momento em que ele buscava uma arquitetura moderna genuinamente brasileira, nas primeiras décadas do século passado. A referência funcional com os elementos coloniais que são os muxarabis (de origem portuguesa, herança da dominação árabe) é realmente muito interessante. Uma de suas obras mais conhecidas, o conjunto de edifícios do parque Guinle, abusa desses elementos. Muitas obras da arquitetura moderna brasileira possuem esses cobogós, mesmo que muitas vezes não passem percebidos como é o caso do Copan. Até meu prédio tem um corredor com cobogós. O sucesso desses elementos é tanto que se espalhou pela arquitetura da América Latina, em países como Venezuela e Paraguai. Ainda hoje é uma solução muito bonita para filtrar a luz solar.

  • http://www.arquitetonico.ufsc.br Rafael

    Bah, eu acho muito interessante como esses blocos unem segurança, versatilidade e circulação de ar proporcionando uma estética muito agradável.
    Além disso, eles me lembram de uma rua na minha cidade natal, e vice versa, onde este elemento é muito utilizado. E confesso que tenho uma grande dificuldade de falar cobogó. haha

  • Bruna

    AAAAhhh Adorei. Desenvolvo um trabalho de iniciação científica à respeito de conforto ambiental em edifícios públicos, e, um dos elementos propiciantes de tal conforto e com significativa participação na eficiência enérgética de tais edifícios é justamente o cobogó. Genuinamente brasileiro, serve de inspiração para o desenvolvimento de tecnologias construtivas alternativas que contribuam para a questão ecológica nos projetos contemporâneos. AMEI o texto!

  • Ana Zabotti

    Nunca tinha prestado atenção na utilidade incrível desses elementos e muito menos em outros aspectos como a origem deles, que-vergonha! Encarava como uma coisa natural, sem perceber a genialidade da coisa. Pra mim sem dúvida foi o post mais educativo do arquitetônico até hoje, obrigada Alex!

  • Guilherme

    Eis aí um elemento arquitetônico tipicamente brasileiro! Por todas as cidades a gente vê os tais cobogós. Mas tem que ver também que a falta de manutenção faz do cobogó um elemento enfeiador da cidade. Quando não se limpa periodicamente, fica acumulada sujeira nas cavidades, dando um aspecto desagradável – que, aliás, também é um elemento tipicamente brasileiro, mais especificamente dos centros das grandes cidades.

    Mas de modo geral, considero o cobogó, junto às janelas basculantes de banheiro e aos vidros translúcidos texturizados (aqueles com bolinhas, sabe?), um dos elementos mais brasileiros da arquitetura.

  • Enedir Ghisi

    Gurizada boa!

    Na Casa Eficiente, foi usado um cobogó na fachada sul para bloquear parte do vento sul, desagradável no inverno. (Na verdade, não é exatamente um cobogó, mas serve como tal.)

    Mas cuidado com a escolha, heim, pois uma vez vi uma foto de um cobogó cuja sombra era um tanto quanto obscena…

  • Lucas

    É verdade, dá pra ver o cobogó da casa eficiente aqui ó http://www.arquitetonico.ufsc.br/casa-eficiente

  • Enedir Ghisi

    Hehehehe tem tudo nesse Arquitetônico! Até o cobogó da casa eficiente! Valeu, Lucas.

  • Alex

    obrigado Ana ^^

  • Andrea Beatrice

    vou utilizar cobogó no meu projeto final de graduação

  • Sabrina

    o bacana é buscar coisas no google e acabar caindo no Arquietônico!hehe..parabens pelo post! adoro cobogós e o jogo com a estética que se pode fazer com eles!

  • maria de fatima c. pinheiro

    onde encontrar cobogó ?
    estou precisando de 1.25 largura x 2.90 de altura de cobogó branco, para uma divisória na sala de visita.
    por favor me ajudem aencontrar , moro em fortaleza-ce.
    muito obrigada

  • iolane

    Adorei!!!!!! Onde comprar os de louça aqui no Brasil?

  • regina maria

    Alex, apresentaçao bem agradavel, direta, gostei dos assuntos relacionados, revela o conceito que ha por tras dos cobogos e muxarabis.

  • Marcia Freire

    Maria de Fatima,
    Você encontrou cobogó em Forateza. Também preciso encontrar.

Escrito por: Alex Mendes
Postado em: 29 de March de 2011

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