Christo e Jeanne-Claude | Arquitetônico

 

ARTE

Christo e Jeanne-Claude

Christo and Jeanne-Claude 2005
Christo and Jeanne-Claude 2005

Christo Vladimirov Javacheff, mais conhecido pelo primeiro nome, é um artista plástico americano descendente de bulgaros que se formou na Academia de Belas Artes de Sofia, na Bulgaria. Além de trabalhar lavando carros e em restaurantes, Christo tinha que fazer pinturas e esculturas para vender e poder se sustentar. Foi assim que conheceu Jeanne-Claude Marie Denat, – americana descendente de franceses – pintando um quadro para a sua mãe. Ambos se apaixonaram e – apesar de Jeanne-Claude ser formada em Filosofia e não ter nenhum conhecimento em artes plásticas até então – começaram a trabalhar juntos e mudaram seu nome artístico para Christo e Jeanne-Claude (e não o contrário!).

 

 

 


Christo e Jeanne-Claude

É muito dificil explicar e transmitir o que é a arte de Christo e Jeanne-Claude. Muito porque as criações dos artistas não são nada. Ou então elas SÃO o nada. E por meio deste nada é que eles instigam nas pessoas o sentimento sobre uma coisa que antes não era nada mas que agora é algo. Deu para entender? Talvez seja por isso que eles são tão criticados por artistas, ambientalistas e urbanistas… Eles não são artistas Concentuais , não são artistas da então chamada Land Art, não são artistas “embaladores”, então poxa, afinal o que eles são?

Cortina em um vale – Valley Curtain, Rifle, Colorado, 1970-72

Talvez não exista uma resposta, mas algo próximo dela está descrito no site da dupla e eu gostaria de compartilhar com vocês:

“Ao longo dos milênios, por 5.000 anos, os artistas têm tentado introduzir uma variedade de qualidades diferentes em suas obras de arte. Eles usaram diferentes materiais: mármore, pedra, bronze, madeira, “fresco” e pintura. Eles criaram imagens mitológicas e religiosas, imagens figurativas e abstratas. Eles tentaram fazer obras maiores ou menores e de um monte de qualidades diferentes. Mas há uma qualidade que nunca usaram, e que é a qualidade do amor e da ternura que os seres humanos têm para o que não dura. Por exemplo, eles têm amor e ternura para a infância, porque eles sabem que não vai durar. Eles têm amor e carinho para sua própria vida porque sabem que não vai durar. Christo e Jeanne-Claude desejam doar essa qualidade de amor e ternura para o seu trabalho, como uma qualidade estética adicional. O fato de que o trabalho não permanece cria uma urgência para vê-lo. Por exemplo, se alguém dissesse, “Oh, olhe à direita, há um arco-íris”, nunca iriamos responder: “Eu vou olhar para ele amanhã.”

Árvores embrulhadas – Wrapped Trees, Fondation Beyeler and Berower Park, Riehen, Switzerland, 1997-98

E qual a melhor arte do que a que advém do amor? Aquela que é única por ser a criação de duas pessoas diferentes, e que unidas tornam-a excepcional, nova e incrível? Christo e Jeanne-Claude não aceitam propostas de trabalho de outras pessoas. Suas obras surgem de suas próprias cabeças e corações, e não possuem referência de nenhum outro lugar. Melhor ainda, não aceitam patrocinadores, pagam os materiais e todos os aparatos com o seu próprio dinheiro, não aceitam assistentes (apenas colaboradores para instalação pagos pelos próprios artistas) e não ganham nenhuma percentagem de lucro sobre os filmes e livros produzidos sobre seu trabalho. Por quê (você deve estar pensando)? Penso que seja por causa da brutalidade que eles querem buscar. Não o bruto do radical, mas o bruto que advém do estado, da forma, da simplicidade. Por isso que não são artistas conceituais, pois querem VER  a sua obra, eles querem CONSTRUÍ-LA porque querem que seja algo bonito e prazeroso.

Passeios embrulhados – Wrapped Walk Ways, Jacob Loose Park, Kansas City, Missouri, 1977-78

A consequência disso tudo é que eles podem construir O QUE quiserem, COMO quiserem e ONDE quiserem. O resultado são obras muitas vezes gigantescas, voltadas para um público que possa observá-las livremente e que causam um impacto que só uma obra efêmera pode causar: o da lembrança da percepção de um lugar. Apesar de todas as obras serem temporárias, os dois artistas não se consideram incluídos no grupo da Land Art, pois seus trabalhos são sempre voltados para um público e construídos em locais de fácil acesso, diferentemente da Land Art, onde a maioria das intervenções são em lugares não habitados e longe dos olhos do ser humano.

Reichstag alemão embrulhado por tecido – Wrapped Reichstag, Berlin, 1971-95

Não há como o trabalho de Christo e Jeanne-Claude durar para sempre porque não deixa de ser uma interferência ao local situado. Seu regristo é feito apenas por fotografias, e a instalação pode durar no máximo algumas semanas. Isso acontece porque o objetivo principal é fazer com que as pessoas percebam algo que não percebiam antes da intervenção dos artistas. Embalar um objeto significa estruturá-lo ao olho humano, focalizando a sua forma e ambietalizando ao local inserido. Aí sim começamos a perceber melhor como as coisas realmente são, como funciona a composição das formas, como é estruturado um tal formato. Vamos observar duas das obras mais famosas:

Os Guarda-chuvas – The Umbrellas, Japan-USA, 1984-91

A obra The Umbrellas foi criada para trazer o sentimento de acolhimento, como de uma casa, para as pessoas que passavam por perto. Por isso, foi feito em um local em que as pessoas pudessem ter visualização e acesso fácil, podendo fotografar, passear e descansar em baixo. A obra foi realizada em dois países, Japão e EUA, os dois mais ricos do mundo na época, como forma de diferenciar e também aproximar as culturas das duas nações. Em 4 horas, 3.100 guarda-chuvas foram abertos por 2.000 trabalhadores no Japão e nos EUA, ao mesmo tempo, e ficaram ali durante 18 dias. Depois os materiais usados foram reciclados e transformados em diversos outros objetos.

O projeto mais recente chamado de The Gates, em New York, contrapõe a grelha dos quarteirões de prédios da cidade com as curvas sinuosas dos passeios do Central Park. A instalação desses pórticos dão a sensação de continuidade e fluidez sobre os caminhos, e o passeio torna-se mais agradável, sendo este muito mais marcante. Os 7.503 painéis foram isntalados em uma extensão de 38 kilômetros, permaneceram ali por 16 dias e depois foram reciclados.

Depois de ver todas as fotos dos trabalhos de Christo e Jeanne-Claude e assistir todos os videos na galeria abaixo, você pode virar um fã da dupla que nem eu e acessar o site deles para dar mais uma olhada e até assinar uma newsletter para saber mais sobre o seu trabalho atual, chamado Over the River.

Nomad of Art

  • Sabrina

    Muito bom! Parabéns pela sensibilidade ao falar sobre esses artistas incríveis!!

  • vic100%top

    me ajudou mto no meu trabalho

    • Vitoria

      me ajudou muito no meu trabalho de artes ( coisa chata )

Escrito por: Lucas Passold
Postado em: 30 de July de 2011

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