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Art Nouveau

Victor Horta
Victor Horta

O Art Nouveau é um estilo de decoração que durou pouco mas foi muito significativo. Ele começou na virada do século XIX para o século XX. Era uma época de novos olhares sobre o mundo, o ser humano e a relação dele com o meio ambiente. O espírito era de mudança. E o Art Nouveau captou todas as novidades que estavam surgindo fazendo uma releitura e integração entre elas, o que ajuda a entender a sua ambiguidade e variações de estilo regionais.

Esse espírito que cercava o continente europeu encorajou a esperança da criação de uma arte nova (daí o nome em francês “art nouveau”). Arte essa que estabeleceria a transição do Historicismo para o Movimento Moderno. Estabelecendo uma resposta à idade, à rapidez da mudança, às novas visões do mundo e aos avanços científicos.

Enquanto o Historicismo tentava defender seu território contra o fenômeno da tecnologia através da apresentação do passado, o Art Nouveau arriscou invadir o território inimigo para conseguir reaver terras perdidas. Conseguindo assim que as tradicionais visões sobre a arte fossem reconciliadas com a moderna face tecnológica.

O seu início foi muito difuso, mas pode-se dizer que foi visto pela primeira vez na Inglaterra, no ambiente do Artes e Ofícios – estilo com premissas muito parecidas – em 1870 e 1880. Com o avanço da Revolução Industrial houve uma proliferação desenfreada de grotescos enfeites, reduzidos ironicamente no preço por causa dos seus novos objetivos. Logo, o Art Nouveau começou a aproximar a criação de itens luxuosos com materiais exóticos e raros, tornando-se uma arte única. Muitas escolas foram criadas para incentivar os artesãos a descobrirem as novas tecnologias, para modernizar a produção, aumentar a demanda de artes industriais e para ajudar fabricantes no treinamento de outros artesãos. Assim aos poucos o artesanato e as artes decorativas foram sendo renovadas.

O Art Nouveau tem uma aparição muito forte nos cartazes da época, que por causa da tecnologia da litografia permitiu-se a produção em massa. Neles nota-se fortemente influência da pintura japonesa, principalmente na valorização do espaço vazio, nas cores chapadas e na presença do contorno nos desenhos.

Como o estilo se espalhou por toda a Europa, deve-se tomar cuidado ao fazer generalizações e também com a supressão da identidade de cada artista. Pois cada um era influenciado pela sua cultura e lugar onde trabalhava, mostrando sua nacionalidade e patriotismo subconscientemente. Apesar disso, podem-se citar algumas características unificadas, como a simplificação de formas para uma arte mais orgânica e a adesão do constante movimento dentro das obras.

Mesmo assim, na estética do Art Nouveau, é fato dizer que linhas ondulares, assimétricas e entrelaçadas são características muito presentes em sua ornamentação. Dificilmente veremos outro estilo com características tão musicais e de tão extrema preocupação com o aspecto decorativo da obra. Por essa preucupação é que o movimento acaba tendo muitos trabalhos na área do design de interiores e objetos, por isso é um dos principais precursores do  design moderno.

Maçanetas de Hector Guimard

O caráter simbólico também é muito usado, como por exemplo: um botão de flor representando o futuro; trepadeiras representando a união do homem com a natureza; ou então um cisne simbolizando a beleza e o orgulho. Contudo, esses são aspectos analisados separadamente, pois fazem parte de um conjunto muito maior e profundo, vendo-se sobre um contexto mais abrangente.

Na Bélgica, principalmente na cidade de Bruxelas, o Art Nouveau foi desenvolvido por Vitctor Horta e mais alguns arquitetos como Henry Van de Velde. Era uma nova atitude em relação a decoração de interiores e um estilo próprio em arquitetura onde era dado ênfase à estrutura simbólica e abstrata, dando menos importância ao material usado. Victor Horta era fundamentalmente um decorador que transformava designs individualistas em símbolos da cultura do povo.

Nota-se em seus trabalhos uma linha mais dinâmica e animada. Já Van de Velde acrescentava curvas mais abstratas e um funcionalismo orgânico capaz de reviver o meio com simplicidade e clareza.

Loja de Cigarros

O Art Nouveau da França foi muito semelhante ao da Bélgica, pois ambas eram potências industriais da época. As tradições francesas fizeram da Art Nouveau de lá uma arte muito refinada, com seu centro principal a cidade de Paris, onde mais tarde seria o centro internacional do estilo. Foi Samuel Bing quem deu o nome ao movimento através do nome de sua galeria chamada L’Art Nouveau.

É muito interessante perceber o aspecto simbólico-estrutural do Metro de Paris, principal obra de Hector Guimard:  A sua lógica, harmonia e sentimento demonstra a mudança do século, entre o que estava escondido e o que estava sendo visto. A eficiência do que foi construído lá embaixo pedia uma lubrificação artística para o lado das ruas, o que elevou a aceitação de uma coisa única.

Portão do Castel Báranger

Já o aspecto floral e vegetal do movimento na França se deu na cidade de Nancy com Emille Gallé, que se inspirava na Natureza e daonde dizia ser a fonte das raízes do ser humano.

O local onde o Art Nouveau foi mais elegante foi na Escócia, em uma escola de Glasgow, principalmente pelo trabalho do arquiteto Mackintosh. A linha tinha um caráter decorativo e linear, tensa e elegante.  Onde era desenvolvida uma ornamentação simbólica, independente da função estrutural do obejto.

A principal diferença entre a França e a Escócia é que na França o ritmo era poderoso e subitamente dinâmico, enquanto na Escócia as curvas eram mais suaves e alongadas, tendendo ao repouso.

Pode-se dizer que o maior expoente do Art Nouveau estava na Espanha, e o seu nome é Antonio Gaudí. Trabalhando principalmente na cidade de Barcelona, Gaudí tinha uma procura frenética por sua originalidade e individualidade criadora. Ao longo do tempo, foi fundindo seus trabalhos de características góticas com o Art Nouveau. Isso pode ser claramente observado na Igreja da Sagrada Familia, onde a parte inferior da Igreja exibe um estilo neogótico, que após Gaudí assumir o projeto, ainda nos primeiros anos de construção, foi mudando para um estilo mais Art Nouveau.

Além disso, esse incrível arquiteto optava pelo uso de curiosas possibildades de materiais, como por exemplo fragmentos de talhas e copos. Fica muito claro a sua preferência por curvas, até mesmo em edifícios residenciais. Isso nos leva a questionar como seriam dispostos os móveis do apartamento e que tipo de pessoas optariam por morar em tal lugar – o que acredito que sejam as pessoas que apreciavam a obra do arquiteto.

Casa Vicens

Casa Batlló

Casa Milà

Planta Baixa da Casa Milà

Pela imprecisão de características universais do Art Nouveau as vezes ele é identificado mais como um período histórico do que como um estilo por alguns críticos. Mas independente disso foi um movimento que marcou as artes de todo o mundo, que teve a audácia de ir contra a maré da época, revolucionando as premissas daquele momento. E que com certeza é uma herança de grande importância para todos nós.

  • Diogo

    Muito interessante e completo esse tópico. O art nouveau foi um estilo muito rápido, mas deixou a marca de seu tempo, a Belle Epoque, até se confundem. O Lucas colocou claramente o que pretendiam estes artistas (pintores, músicos, escultores) e arquitetos: romper com a linha historicista de revivals (os famosos “neos”, neoclássico, neogótico…), ou seja criar a arte de seu tempo. E conseguiram, no aspecto decorativo os ornamentos incorporaram aspectos da natureza: folhas, flores, ossos (vide casa Batlo), o uso do “efeito chicote” com essas curvas bem características. No aspecto estrutural ressalto a pesquisa de Antoni Gaudi ao aplicar o conceito de arcos catenários em suas obras, que é um arco mais resistente que o arco pleno ou ogival e Victor Horta que em algumas de suas obras utilizou a estrutura metálica independente de planta e fachada. No aspecto da pintura acho que Gustav Klimt é um dos artistas que mais me agrada, do estilo Secession vienense, mistura 3d com 2d, pintura com mosaicos.
    Temos exemplos do art nouveau no Brasil também, ao menos em São Paulo existem as obras do arquiteto sueco Carlos (Karl) Ekman, infelizmente esse estilo não é tão difundido como patrimônio aqui.
    O art nouveau não durou além da primeira guerra, fim da Belle Epoque, “substituído” pelo moderno (do entre e pós-guerras) que dialogava diretamente com as novas técnicas industriais de produção e necessidades do mundo em recuperação, acho que o modernismo quis mais ser um padrão universal que pudesse se inserir e servir a todas as classes sociais.

  • Beatriz Oliveira

    Texto muito bom, me ajudou bastante no conhecimento do ”Art Nouveau”!
    Haa. Obrigado Pela ajuda!

Escrito por: Lucas Passold
Postado em: 21 de November de 2010

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