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Arquitetura x Engenharia


Charles-Edouard Jeanneret-Gris, mais conhecido pelo seu pseudônimo Le Corbusier, preocupava-se com o homem contemporâneo, de forma que procurou reencontrar as bases humanas – tal como a escala humana, a necessidade-tipo, e função-tipo e, sobretudo, a emoção-tipo.

Em seu livro “Por uma Arquitetura”, Le Corbusier defende a arquitetura como uma das mais urgentes necessidades do homem. A casa sempre foi indispensável, o 1º instrumento que ele se forjou. Porém, à sua época, o arquiteto modernista dizia que os homens viviam em velhas casas, eram infelizes por habitar moradias indignas. Elas arruinavam sua saúde e moral. As casas repugnavam os habitantes, que delas fugiam para freqüentar outros locais. Era desmoralizante.

No início do século XX, a sociedade estava em plena revolução. As máquinas estavam modificando os padrões de comportamento do homem, e a evolução seguiu por um século em ritmo alucinante, em consequência da Revolução Industrial.

Sistema Modulor

Sistema Modulor

Le Corbusier criticava duramente os arquitetos contemporâneos seus. Traçou vários paralelos entre arquitetos e engenheiros, tanto nos aspectos profissionais quanto pessoais. Segundo ele, os engenheiros são viris, saudáveis, úteis, ativos, morais e alegres, em contraposição aos arquitetos, que são desencantados e desocupados, faladores ou lúgubres. Enquanto a Engenharia passava por um momento de pleno florescimento, a arquitetura sofria uma penosa regressão.

Engenheiro

Arquiteto

Inspirado pela lei da economia;

Ordenando formas, realiza uma ordem que é pura invenção de seu espírito;

Conduzido pelo cálculo;

Pelas formas, afeta intensamente nossos sentidos provocando emoções plásticas;

Poe o homem de acordo com as leis do Universo; atinge a harmonia.

Nos desperta pelas formas, nos faz sentir a beleza.

 

Os engenheiros, através da geometria, realizavam formas puras em suas construções que, segundo Le Corbusier, satisfaziam nossos olhos e nosso espírito com a matemática. Já os arquitetos não utilizavam formas simples, e procuravam ornamentar suas obras da forma mais rebuscada possível. Le Corbusier aponta os feitos da Engenharia como grande arte, ao criarem fatos plástico límpidos e impressionantes.

Ainda sobre a relação da arquitetura com o sentimento e intenção, Le Corbusier sublinha que a arquitetura é “coisa de emoção plástica, deve começar pelo começo e empregar elementos suscetíveis de atingir nossos sentidos, satisfazer nossos desejos visuais e dispô-los de tal maneira que sua visão afete claramente pela beleza ou pela brutalidade, pelo tumulto ou pela serenidade”. A arquitetura, à época, não lembrava mais do seu germe criador. Os arquitetos criavam estilos ou discutiam sobre estruturas e esqueciam-se que sua profissão, em essência, era um fenômeno de emoção, o que, para Le Corbusier, estava muito além das questões de construção. A importância da construção estava em sustentar, enquanto a da arquitetura, em emocionar.

  • http://www.sentidomudo.blogspot.com Day

    Adorei teu texto Jana!! Duas quase jornalistas, uma foi pro lado da arquitetura e outra pra engenharia! ahhaha adorei!! Mas elas ainda gostam de escreveeer =)

  • João Neto

    Essas brigas classicas devem sempre ser citdas mesmo, como na area do Design. Engenheiros de produção x designers de produtos, estilistas x designers de moda, Arquitetos x Designers de interiores, Designers Gráfico x Publicitários… Jana, maravilhoso texto…

  • Diogo

    Arquitetura e Engenharia, sugeriria assim o título, esse x dá idéia de que arquitetura e engenharia estão disputando alguma coisa. Achei interessante seu post, em “Por Uma Arquitetura”, Corbusier tenta, sobretudo, aproximar as ciências e não as contrapor. Arquitetura e engenharia não são rivais, creio que seja um erro grosseiro encarar essa relação como rivalidade. A arquitetura cuida dos detalhes de realizar o projeto, a emoção é uma característica implícita, surge com as qualidades do projeto (quer dizer, a arquitetura não precisa ser extravagante para emocionar) sendo que é possível (e necessário muitas vezes) aliar arquitetura e economia, obra boa nem sempre quer dizer obra cara, tanto que Le Corbusier tinha uma casinha de madeira bastante humilde, mas com excelente projeto, onde ele passava dias de folga. A engenharia cuida das minúcias de realizar o projeto, da construção e do canteiro (coisas que o arquiteto também deve ter conhecimento), um engenheiro dificilmente faria um projeto arquitetônico com qualidade, somente se for um arquiteto autodidata, visto as pastas dos cursos de engenharia. Na história, os melhores arquitetos sempre foram (e continuam sendo) aqueles que tinham um grande conhecimento de engenharia, das possibilidades estruturais, somando a isso uma grande sensibilidade para projetar os espaços. É preciso ter conhecimento dos materiais e das possibilidades estruturais para criar aquele espaço lúdico que muitos arquitetos sonham. Le Corbusier foi um deles, e vejo “Por Uma Arquitetura” como uma crítica a sua geração anterior que se afastava da engenharia, isto é, dos métodos construtivos e suas possibilidades estruturais (culpa do ensino Beaux-Arts), limitando a arquitetura a uma arte decorativa. Quero dizer, no início do século XX a engenharia havia avançado (estruturas em aço, concreto armado, etc.), e a arquitetura não acompanhava esse avanço, construindo muito como se estivesse lidando com os métodos construtivos antigos (o ecletismo, que construía coisas neo-góticas, neo-clássicas, …, sobre uma moderna estrutura que permitia ousar muito mais e de forma muito mais barata). O modernismo adequou método construtivo, espaços, forma e necessidades de um mundo industrializado.

  • http://www.habitissimo.com.br Otávio

    Acho que antes de comparar Arquitetura e Engenharia seria bastante interessante esclarecer as múltiplas concepçoes de arquitetura, que nao necessariamente estao em consonância. Como uma área que pretente relacionar-se com as artes, as discussoes sobre “expressao”, “objetivo” etc., sao bastante constantes.

    As definiçoes que o autor estabeleceu para a Arquitetura, nao obstante sua importância num sentido de história do pensamento sobre a área, nao devem ser tomadas como elementos caracterizadores do campo.

  • Nsungu António Miguel

    Ainda sobre a relação da arquitetura com o sentimento e intenção, Nsungu sublinha que a arquitetura é “coisa de emoção plástica, deve começar pelo começo e empregar elementos suscetíveis de atingir nossos sentidos, satisfazer nossos desejos visuais e dispô-los de tal maneira que sua visão afete claramente pela beleza ou pela brutalidade, pelo tumulto ou pela serenidade”. A arquitetura, à época, não lembrava mais do seu germe criador. Os arquitetos criavam estilos ou discutiam sobre estruturas e esqueciam-se que sua profissão, em essência, era um fenômeno de emoção, o que, para Le Corbusier, estava muito além das questões de construção. A importância da construção estava em sustentar, enquanto a da arquitetura, em emocionar

Escrito por: Janaina Ghiggi
Postado em: 12 de February de 2011

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